domingo, 10 de outubro de 2010

Comer Rezar e Amar

Isso aqui poderia até ser uma resenha do filme, porém não o é. Começo o post respirando fundo and typing my heart away...se é que isso existe. Não sem minhas reticências rotineiras mas com alguns pontos finais a mais.
Fui assistir "Comer Rezar Amar" (novo futuro blockbuster com a Julia Roberts), os que quiserem podem dizer que preferem os filmes da Björk ou cinema iraniano, mas esse filme me fez refletir muito nesse momento da minha vida.
Sempre fui aterrorizada pela idéia do casamento. Talvez por ter visto muitos dos mais próximos a mim afundarem ou continuarem mesmo estando no fundo do oceano sem nenhuma possibilidade de salvação. Já corri atrás de homens que pensei serem os homens da minha vida até descobrir que eles não me consideravam a mulher da vida deles e já abandonei outros que queriam se casar comigo por medo de "amarrar" minha vida a deles ou medo do casamento em si. Porém nunca deixei de ser uma romantica incorrigível no maior estilo Lisbela (aquela mesmo do filme 'Lisbela e o prisioneiro" que por sua vez deixa muito a desejar, mas isso é assunto pra outro post). Impressionante essa minha capacidade de amarrar uma idéia na outra e não conseguir mais voltar ao ponto de partida. Pois bem, o filme. Me fez refletir. Me deu vontade de escrever.
Casamento...rs...muito pesadas tanto a palavra quanto a idéia, pelo menos pra mim. A Liz Gilbert depois de um  casamento fracassado e um romance com um cara muito mais novo, foi pra Itália, Índia, Bali. Eu fui pra escandinávia, só de teste. Fui testar se funcionaria essa idéia pesada. Não disse nada a ninguém que aquilo era uma um teste, mas era! Teste de 12 dias. Tudo devidamente medido. Achei que fosse achar tudo uma porcaria, aquela idéia de parceria 24 h a day. Mas fui achando tudo tão deliciosamente prazeroso e encontrando formas de lidar com situações com as quais eu achei que não fosse conseguir lidar nunca, que me convenci a querer aquele peso (que no fim nem era mais tão pesado) pra mim.
Depois comecei a me perguntar quando e como a mudança me aconteceu e cheguei a dois momentos que me trouxeram uma plenitude incrível, uma sensação de estar exatamente onde eu deveria estar e no momento em que deveria estar. Eu que odeio lavar louça, trabalho doméstico e que sempre preferi a rua e a esbórnia boêmia do teatro, estava ali, às 10h da manhã sozinha na cozinha lavando a louça do dia anterior porque eu queria e estava me sentido tão bem com aquilo. Mais tarde, estávamos cozinhado juntos naquela tarde de sol (tão rara por aquelas bandas) ao som de Beatles, assim por horas, e a fome chegou mas foi embora com medo de incomodar. Parecia caber, parecia preencher esse fundo que trago no peito parecia servir. Depois disso, toda vez em que me perguntam porque eu quero fazer o que estou fazendo ou será que vale a pena...escuto no fundo da minha cabeça "Strawberry fields" tocando bem baixinho e penso em cantar "Milk and toast and Honey".
Pra não dizer que não falei de John nessa época em que ele completaria 70 anos se estivesse vivo, dexo aqui sua letra e sua explicação, e me divirto "Watching the Wheels".

 

Watching The Wheels

People say I'm crazy doing what I'm doing
Well they give me all kinds of warnings to save me from ruin
When I say that I'm o.k. well they look at me kind of strange
Surely you're not happy now you no longer play the game
People say I'm lazy dreaming my life away
Well they give me all kinds of advice designed to enlighten me
When I tell them that I'm doing fine watching shadows on the wall
Don't you miss the big time boy you're no longer on the ball


I'm just sitting here watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
No longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go


Ah, people ask me questions lost in confusion
Well I tell them there's no problem, only solutions
Well they shake their heads and they look at me as if I've lost my mind
I tell them there's no hurry
I'm just sitting here doing time


I'm just sitting here watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
No longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go
I just had to let it go
I just had to let it go

2 comentários:

  1. Uma graça !! Tão rpofundo e a vida é assim !! lembra no final do filme que o velhinho banguela diz para a Liz que se ela não fizesse uma loucura por amor (out of balance) ela não iria encontrar a felicidade ?? É exatamente isso. A vida não é fair square, mas se a gente não se arriscar um pouco ela fica tão sem graça. Uma coisa que eu sempre digo, eu prefiro me arrepender do que fiz, do que me arrepender do que não fiz ... Então faça mesmo !! Sem medo de ser feliz.

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  2. Valeu Flavinha...adoro vc por quem vc é, assim de cara! Tão verdadeira que dá até nervoso! Mas é disso que gosto, você é você...sem medo e sem hipocrisia!!! Acho que a gente é meio irmã de alma, com essa mania de querer ser quem a gente é a qualquer custo!

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