quinta-feira, 3 de março de 2011

Do dia em que me senti em casa...

                      

 Acabo de voltar da biblioteca de Malmö pra onde fui com minha cunhada. Nunca neguei minhas origens nerds e não vai ser agora em plena Europa-terra-do-saber, que vou comecar a fazê-lo. A biblioteca daqui é a meca de qualquer nerd, oitocentas mil sessoes de livros, gente pra te ajudar por todo o lado, linda arquitetura, e como se isso não bastasse, alguns terminais eletronicos para empréstimos e devolucão de livros. Também Não posso deixar de citar os vários computadores para uso público, na sua maioria Mac, nenhum com tela inferior a 32 polegadas!
Minha cunhada é uma pessoa queridíssima e lindíssima por dentro e por fora (nem é pra puxar o saco, só gosto dela mesmo!) Tem dia em que me sinto como personagem do Nelson Rodrigues dizendo que ela parece a Grace Kelly, o pior é que parece mesmo! Só não é mais linda porque não tem espaco! Fora isso de ser linda e gente boa, ela está sempre querendo ajudar, e vendo meu tédio aqui nessas terras geladas, ela resolveu me ajudar no quesito biblioteca. Desde então, eu tenho ido pra lá estudar sueco sozinha, com o namorado, ou com ela. Hoje foi mais um desses dias.
Na verdade, não era sobre nada disso que eu queria falar, nem sobre a minha cunhada, nem sobre a biblioteca, meu furor de escrever veio de uma sensacão muito boa que tive ao sair na rua hoje. Todo mundo diz que mudar de país é difícil, complicado, mas especificar as complicacões é impossível. Cada um sente de uma forma. Tem gente que morre de saudade, tem gente que tem crise de choro, tem gente que surta...eu não tenho nenhum dos sintomas anteriores. É claro que às vezes tenho saudades, que às vezes procuro motivo pra chorar quando no fundo é só o medo do novo, mas o pior pra mim tem sido essa sensacão de deslocamento que trás uma falta de liberdade esquisita. Vou explicar melhor...
O povo sueco tem sido bem caloroso e receptivo para comigo (coisa que muitos dizem que é sorte minha, porque na sua maioria, os suecos são muito frios. Eu não acho...ou talvez seja fria também!), então esta sensacão de deslocamento nada tem a ver com estar sendo maltratada pelo povo daqui...muito pelo contrário!
Tenho duas amigas suecas hiper prestativas e presentes, que me chamam pra tomar cerveja no pub, dancar, jogo de hockey, biblioteca, comer no japonês! Disso não posso reclamar!
Meu namorado é um cara que tem aprendido a ser meu parceiro, tem procurado se superar e enfrentar todas as minhas variacões de humor, chatices, frescuras e tudo o mais que vem no "pacote Marília" (felizmente também há coisas boas, e o coitado não precisa ser mártir!)
Eu tenho atividades constantes e bem interessantes por aqui que vão desde aprender uma nova língua a coisas com as quais sempre sonhei, um parque lindo pertinho de casa pra correr, a biblioteca super linda, copenhagen a meia hora de trem, workshops de teatro, e finalmente: tempo pra escrever!
Então, nêga, o quê te falta?
Parei pra pensar só agora...acho que me faltava todo um entorno de freguesia-barra-zona sul. Me faltava saber o como de tudo; como pegar um ônibus, como pagar uma conta no banco, como chegar aos lugares aos quais queria ir, como e o que comprar no supermercado, o que fazer pela cidade, como dar um jeito no meu cabelo que sofre com a água daqui, como lidar com ter alguém com você e não por você...faltava eu me aconchegar!
Pois hoje, pela primeira vez, depois de quase 3 meses, saí na rua e reconheci Malmö como a minha casa! Olhei ao meu redor na rua e soube onde eu estava, onde eu queria ir, como pegar o ônibus, por onde ele estava indo, soube ir a minha loja preferida, e também soube o que falar pro cachorro da minha amiga que só entende sueco! E que sensacão boa! Que coisa maravilhosa morar em Malmö, num país que eu admiro (não estou renegando o Brasil não, mas para aqueles que ainda confundem Suíca e Suécia, seria bom saber um pouco mais sobre isso aqui)
Se eu disser que não me aguento de saudades do Brasil, estou mentindo! Tenho saudades, mas estou bem, me sentindo finalmente
em casa...

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