terça-feira, 29 de março de 2011

Namorar uma mulher negra é promiscuidade!

Li isso hoje pela manhã e estou com um embrulho no estômago até agora. Depois de escutar colegas me dizerem que o preconceito no Brasil já é bem pequeno e que muitas vezes eu estava inventando casos de preconceito, vejo muitas provas de que por aqui, ele é apenas velado.
Crianças pequenas ainda não conseguem visualizar as supostas diferenças que lhe são passadas pelos adultos, então eu, até os seis anos na escola, ainda tive namoradinhos, normalmente, como todo mundo. E depois? O que muda? Depois o preconceito enraizado na sociedade já tem o bastante de si dentro de criancinhas de 7 ou 8 anos de idade. E aí, a menina negra da turma é só um adendo das outras.

- Ah, Marília, você está aumentando as coisas pois elas passam por sua perspectiva pessoal...

Acho que até gosto desse deputado ridículo, por ser prova cabal de que, não...eu não estou aumentando as coisas! Vejo Thaís Araújo na TV dizendo que nunca tinha beijado alguém até os 16 anos por ser negra, e concordo, porque o mesmo aconteceu comigo. Não creio que sejamos mulheres pouco atraentes, ou desinteressantes, ou mesmo desagradáveis. O que acontece nesse país, meu Deus? Um deputado de carreira política e partido lamentáveis vai a TV e diz que se o filho namorasse uma moça negra isso seria promiscuidade? E eu estou aumentando as coisas? Somos promíscuas por sermos negras?
Hoje, vivendo com um sueco, ainda enfrento outro preconceito...
- Olha lá, a mulata e o gringo!
Sim, é o que somos. Mas o que isso representa? Ele é rico e eu sou pobre? Ele descende de uma raça nobre de pessoas (sim, ele já ouviu isso aqui no Brasil e os únicos motivos aparentes eram seu cabelo loiro e seus olhos azuis) e eu de maus elementos (assim definidos por fatores genéticos, leia-se pele negra e olhos escuros).

Mas porque você não escolheu um homem brasileiro, Marília?

Vou explicar:

Porque estou cansada de ver a cara de reprovação (ou desgosto mesmo) de seus pais, avós e companhia limitada, num país que tem um percentual tão grande de negros! Não. a Suécia não é melhor, mas a avó do meu namorado que nunca tinha visto um negro ou negra na vida real (ela é de uma cidade do interior da Suécia), me abraçou, me beijou e aos seus 89 anos discute comigo como será meu vestido de noiva para o casamento com o neto dela.
Não me lembro da avó do meu namorado brasileiro fazer isso comigo, lembro-me bem de sua cara de espanto ao me receber em sua enorme casa de 3 andares com piscina na Gávea, e me convidar para o almoço por educação. Coitado...nunca vai poder assumir sua preferência por meninas negras sem desapontar a família, que não dirá nada (claro, todos muito educados) mas estará incomodada sim!
Estou cansada de escutar que sou morena e não negra...porque? Porque tenho pós-graduação? Já vi judeus cometendo absurdos de preconceito racial contra negros. MEU DEUS! Só no Brasil! Eles estiveram em campos de concentração e não aprenderam nada?
Entre meus mais próximos amigos já testemunhei atitudes preconceituosas, e embora nenhum deles, muito educados e politicamente corretos vá me dizer com todas as letras, não...muitos não teriam um relacionamento com uma garota negra.
Obrigada, deputado Bolsonaro! O senhor é prova definitiva, de que o preconceito contra as mulheres negras no Brasil ainda está muito longe de acabar e também a razão do meu mestrado em sociologia!

Aí está a notícia...e aí meus amigos mais próximos? Será que eu ainda estou aumentando as coisas?


29/03/2011 - 08h40

Preta Gil quer processar deputado por comentário racista


DE SÃO PAULO

No "CQC" desta segunda-feira, o deputado Jair Bolsonaro (PP) disse que um filho seu nunca namoraria uma mulher negra porque isso seria promiscuidade. Ele respondia a uma pergunta feita por Preta Gil, que em seu perfil no Twitter afirmou estar estudando processar o político.
No programa, Bolsonaro respondia a uma série de perguntas sobre ditadura e preconceito contra gays e negros. Quando questionado pela cantora sobre como ele agiria caso seu filho se apaixonasse por uma negra, o deputado disse não se preocupar com isso.
"Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu", respondeu o deputado.
Pouco depois da exibição do programa, Preta Gil usou seu Twitter para falar sobre o assunto. Ela disse ainda ter enviado o vídeo ao seu advogado.
"Advogado acionado, sou uma mulher Negra, forte e irei até o fim", escreveu no microblog.
Procurado pela Folha na manhã de hoje, o deputado não foi encontrado para comentar o caso.

7 comentários:

  1. Concordo com você sim - e quando dizem " lidar com as diferenças" eu rio, porque são pseudo diferenças - já que somos TODOS no Brasil, miscigenados.
    Vou te dar exemplos próximos a você:
    Seu bisavô paterno era um portugues brancão. Já sua bisavó paterna era filha de uma cabocla que eu conheci - forte em tudo.Sua tataravó uma índia de verdade que eu também conheci.
    Seu bisavô materno era um caboclo nordestino e sua bisavó materna era branquinha, uma paraense filha de portugueses.
    Os seus primos filhos do meu pai vieram de Adelaide e de um avô caboclado lá do Sergipe.
    Eu branquela desse jeito tenho uma bisavó materna que era mulata. O Roberto tem as gengivas roxas - o que indica ser descendente de negros. Carolina também o é, é claro.
    Maria Lúcia tem um avô alemão mas prá sorte dela e das meninas, o gen mais forte foi o da raça negra. Os meus netos têm essa misturada toda e ainda tem o lado da mãe biológica da Maria, polonesa e do pai da Maria, um negro.
    A chamada futura raça brasileira será chamada de raça de bronze, não só de acordo com o Darcy Ribeiro, como com o que se estuda em antropologia esotérica e
    nem estou sendo demagoga ou querendo concordar com você. Você não precisa de mim ou da minha opinião. Só quis mostrar, que nem precisa sair do espaço familiar prá compreender que a miscigenação das 3 raças é parte do histórico da maioria das famílias brasileiras. E deveria ser do conhecimento honesto de cada brasileiro.
    Antropologia deveria ser matéria dada desde o primeiro grau.
    Somos um caldeirão racial e é aí que está a força que não é mostrada aos brasileiros, propositadamente . O sistema é podre.
    Bjs.

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  2. "Maria Lúcia tem um avô alemão mas prá sorte dela e das meninas, o gen mais forte foi o da raça negra. Os meus netos têm essa misturada toda e ainda tem o lado da mãe biológica da Maria, polonesa e do pai da Maria, um negro.'
    Algum problema se os genes alemães fossem predominantes?
    Não entendi...

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  3. Bem, faz um tempinho que eu não moro "integralmente" no Brasil, mas, tirando toda a chateação que me deram quando eu era criança, (principalmente por causa do meu cabelo crespo)não senti mais nada de racismo. Ao menos não dirigido a minha pessoa. Pelo contrário. Tudo o que sou e tenho hoje eu devo ao fato de ser negra. Depois e ter completado 14 anos e passado pela fase mais desengonçada da adolescência, passei da menina mais feia da escola para o grupo das 5 mais populares. Isso porque eu estudava no Galois, o colégio mais caro de brasília e era, praticamente a única negra da escola toda! Aos 15, virei modelo, viajei o mundo, conheci muuuuita gente interessante. Fui namorada de um piloto da formula 1 (Jenson Button), de quem ouvi me dizer que eu era a mulher mais linda que ele já viu na vida (mesmo que ele tenha saído com vááárias celebs). E quando vou ao Brasil, mesmo com minhas amigas loiras gaúchas ao lado, sou eu quem faz mais sucesso. Tive vários namorados de família rica e tradicional no Brasil e fora e todas as mães e avós sempre ficaram apaixonadas por mim. Sinceramente, não vejo preconceito em parte alguma. Até no leste da europa, eu me achava o máximo porque passava na rua e as pessoas me filmavam com o celular boquiabertas. Acho que o preconceito no brasil vem da idéia de que negros são pobres, são favelados. Tem mais a ver com o lado econômico que racial. Ao menos é o que eu acho. Como meu pai foi político, não vejo nenhuma falsidade ou ironia contra mim nas famílias mais tradicionais. Sei lá. Às vezes cismamos tanto com algo que atraímos isso pra nós. Como estou sempre sussa e nunca esperando que alguém vá agir com racismo contra mim, nunca acontece comigo. É no que eu acredito.
    PS: não costumo me identificar demais, mas como escrevi certas coisas da minha vida que são difíceis de assimilar como verdade, antes que o pessoal do blog me chame de mentirosa, deixo o meu orkut: só procurar por "Stella black barbie". tem um albunzinho aberto que comprova tudo o que eu falei.
    Estou escrevendo um blog também, há uma semana apenas rsrs. Passa lá:
    www.neguinhaabusada.com
    beijos

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  4. Que bom pra vc que nunca te atingiu! Mas eu senti preconceito em muitas fases da minha vida, talvez a classe média seja um pouco pior que a alta sociedade nesse caso...rs
    No leste europeu também me senti maravilhosa rs, mas um pouco desconfortável, porque eles olham demais...
    Ao contrario de você, eu sou bem baixinha...
    Mas hoje em dia, graças a Deus, eu não poderia me sentir mais a vontade com a minha beleza!
    Já passei no seu blog e tive uns probleminhas para seguí-lo, mas tentarei novamente...

    bjos

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  5. Concordo com o que vc disse!
    A declaração da Taís Araujo diz muito sobre o que acontece com mulheres negras nesse país. A maioria dos brasileiros não querem namorar negras pois não é esse o tipo de mulher que eles acham que devem namorar, e ainda dizem que é uma preferencia! Na realidade é a idéia de que seria errada levar uma negra pra casa e conhecer o pais!

    Tenho nojo disso. Homens ainda nos veem como mulher só pra uma noitada!

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  6. Mulheres negras são MUITO lindas, a pele negra é incrível. ÓBVIO que as peles claras não ficam de maneira nenhuma para trás, também são lindíssimas. Só estou comentando isto porque NÃO ENTENDO como alguém pode discriminar gente de pele negra (visto que esta é tão maravilhosa). Pele negra é como se fosse uma joia rara para mim.
    Achei um absurdo o que li acima, fiquei realmente impressionada. Esse político só falou o que outras pessoas também pensam no Brasil, e acho que eles precisam acordar para a vida real.
    Gostei muito da tua iniciativa.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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