terça-feira, 5 de abril de 2011

Estou farta de Semideuses ou bonequinhos de Street Fighter!

      Não sei se é impressão minha, mas depois que voltei ao Brasil, percebi que ao meu redor há apenas semideuses! É impressionante como todos estão irremediavelmente bem, pelo menos desse lado da família. E como todos são maravilhosos, e como quando todos se encontram é uma luta de foice dos que contam para dizer o quanto um sobrinho, neto, irmão, primo ou o que seja (o preferido de quem conta) está tão melhor de vida que o oponente. Parece aquele jogo de vídeo game da minha infância, o "Street Fighter", cada um escolhe seu bonequinho, e luta com ele!
      Com essa viagem, acho que ganhei uma visão de fora, e vou achando tudo muito ridículo! Porque pouco me interessa se fulaninho está ganhando 5 reais ou 5 mil, para mim, não faz a menor diferença, se não me liga quando eu estou doente, e não me acompanha até a praia e só fala do que pouco me interessa! O que me interessa é se a pessoa é gente boa, não está afim de cuspir o que sabe (superficialmente, é claro) só pra mostrar se sabe. Me interessa que essas pessoas que eu tanto amo estão se tornando chatas de galocha, esquecendo o que realmente importa!
      Ontem ouvi que se for pra chamar todo mundo da família pra um casamento, será preciso gastar 50 mil reais, então, melhor gastar menos e não chamar todo mundo! Só eu achei absurdo?
      Melhor chamar todo mundo e fazer um churrasco que seja no quintal! Acho que a Suécia conseguiu salvar meus valores. Acho que fui salva...
      Em homenagem à minha família, que mesmo distorcidinha, eu amo tanto, vai um poema de alerta...dos meus preferidos!
      POEMA EM LINHA RETA
    Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo,
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;
    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
    Ó príncipes, meus irmãos,

    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?

    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
    Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.





    Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

    4 comentários:

    1. eu já adivinhei donde você tirou isso.....hahahaha!
      Mas não se preocupe não, santa, aqui estamos todos fudidos ou remediàvelmente salvos.
      Portanto, não nos coloque nesse saco ( furado ).

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    2. Liga não. Se for churrasgato no Viaduto Negrão de Lima eu vou!

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    3. Eu vou casar descalça e só ligo pra vestido de noiva se minha avó ou minha sogra costurarem, aí sim eles terão algum valor sentimental!

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    4. Olha, Marília, você não imagina o quanto me alegra perceber o seu crescimento, o amadurecimento da sua alma! O que importa são as pessoas e não o que elas tem ou querem ter ou não tem!!!Essa superficialidade enche o saco!!!!!
      Tô feliz por você!!!

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