segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Exposição Queremos Miles Davis no Centro Cultural Banco do Brasil



Nesse fim de semana fui ver a exposição "Queremos Miles Davis" no CCBB, e saí de lá com a alma renovada. As escolhas são maravilhosas e o artista genial. É extremamente interessante pra mim, ver como os artistas negros lidaram com o preconceito racial e como isso se refletia não só no que eles criavam, mas também nas transformações com relação às políticas segregadoras tão agressivas da época.
A exposição é gratuita, e fica por lá até o dia 28 de setembro. O horário de funcionamento é de 9 da manhã às 9 da noite.
Algumas coisas me chamaram a atenção na exposição de Miles Davis. A primeira delas, os quartinhos com banquinhos feitos para você sentar e apreciar o bom jazz, a segunda foi a declaração de Davis em uma entrevista a um reporter branco:
O reporter pergunta à Davis, já nos anos 80, se ele acha que pode tocar Blues porque é negro e entende de sofrimento, o trompetista responde com algum desdém: "Meu pai é rico, minha mãe é linda, eu não sofri, não sei do que você está falando!" Achei sensacional!
Em outra entrevista, um reporteres pergunta a Davis no auge de sua carreira, se ele ainda tinha algum desejo na vida (na época, ele havia acabado de ser proclamado uma lenda do jazz, de se casar com uma lindíssima mulher e de comprar uma Ferrari...rs), e a pergunta era:

- Você ainda tem algum desejo na vida?

À Qual ele responde:

- Ser branco.

É importante sublinhar que Davis viveu o turbilhão do auge da segregação racial nos EUA, e essa entrevista foi dada logo após um evento marcante de sua vida. Ao se negar a sair de uma calçada na qual estava tomando um ar em Nova York, Miles é surrado e preso por policiais brancos.
Enfim, a exposição é muito mais que considerações sobre uma lenda da música, o que por si só, já valeria a visita, não é mesmo?

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